Abandonei a carreira de Dev pra seguir na carreira de Produto

TL;DR História de após trabalhar 16 anos como dev, tech lead e resolvi abandonar tudo migrar para produto.

Motivações

Nunca gostei de escrever código por escrever, ficava muito p*to quando eu criava algo que não gerava valor, mas eu precisava fazer pq estava recebendo por isso.

Minha revolta foi crescendo ano após ano, tive uma fase pesada onde não via mais sentido no que eu fazia, entrei no pior ciclo do mundo de escrever código por dinheiro e não tinha oportunidade de sair do ciclo pois precisava da grana, pq eu tinha financiamento de um carro, casei, virei pai, mas é papo para outro post.

Foi aí que algo aconteceu…

Na empresa na qual eu trabalhava, eu estava alocado num projeto que tinha um puta potencial de virar uma startup 🤩

Aí me acendeu uma luz 💡

“Vou dedicar o máximo de energia nesse projeto para eu ficar exclusivamente programando nele.”

Deu tão certo a dedicação que fui convidado a ser sócio 🤘

O sócio

Comecei exercitar minha mente para não pensar como dev (digo trampar 100% focado no código), mas como alguém estratégico pro negócio. Meu principal objetivo era não deixar essa startup se transformar empresa tradicional de serviço — que faz tudo que o cliente pede e paga sem avaliar riscos.

Um dos sócios comprou minha idéia e um belo dia me mandou um PDF de um processo de aceleração de startups que iria ocorrer numa cidade vizinha, as startups aprovadas ficariam encubadas por 12 meses e receberiam um aporte sem pegar nenhum equity.

Eu não fazia idéia do que era e como funcionava uma aceleração, então pesquisar e consultar pessoas com experiência pra entender e em 15 dias e já tinha o contexto e um pitch pronto.

Resultado: Passamos 🙌

A aceleração

A aceleração era presencial em uma cidade praiana (Macaé-RJ), escritório era na orla da praia de cavaleiros.

Praia Cavaleiros, Macaé-RJ

O ambiente que eu trabalhava era totalmente diferente de tudo que eu vivia nos últimos anos:

  • Eu não precisava marcar ponto
  • Não precisava de uniforme
  • Chegava e saia sem precisar pedir permissão
  • E quando estava estressado era só dar uma volta nessa orla da foto acima 😎

mas voltando ao assunto…

Ao entrar no mundo de startup, comecei a perceber que tudo que me desmotivava existia um caminho (desconhecido) onde me dava motivação.

Meu papel como sócio era ser um “CTO hands on”, (vulgo faz tudo) eu precisava desenvolver de forma rápida somente o essencial para os clientes, pq não tinha recursos e nem tempo para ficar perdendo desenvolvendo coisas sem sentido.

Durante a aceleração, eu tinha que dividir o escritório com mais uma startup, o cara que estava comigo era CPO e percebi que o trabalho dele era reuniões de alinhamentos, frameworks, montar wireframes e analisar métricas e achei tudo aquilo bem foda.

Então comecei a sugar tudo dele e aprendi fazer discovery, aplicar frameworks de priorização, dar aquela olhada em métricas e colhi ótimos resultados, pois conseguia me manter enxuto e tinha argumentos até para alinhar com os stakeholders.

Enfim em alguns meses me tornei startupeiro…

Como bom startupeiro comecei a participar de vários eventos para fazer pitches e networking, em um desses eventos assisti a palestra do Rafael Duton que estava falando sobre o iFood e ele disse algo muito louco pra mim naquela época, era mais ou menos assim:

“No ifood, quando ocorria uma venda, a gente não comemorava, mas passava horas/dias entendendo o pq aquela venda foi feita.”

Eu e Rafael Duton, no dia da palestra.

Isso entrou na minha cabeça como um choque, pois eu me perguntava pq eles não comemoravam o sucesso e sim entendiam? Pq na vida de “empreendedor” o que ensinam é comemorar pequenas vitórias e essa mentalidade agnóstica/analítica mexeu comigo 🤯.

Entender o pq das coisas?

Algo dito de forma simples mas foi tão grandioso na minha carreira.

Passei a adotar essa mentalidade de entender o pq, virei um “militante” da utilização de dados para apoiar a tomada de decisão e a startup que eu era sócio infelizmente começou seguir outro rumo.

Por conta dos sócios virem de empresas tradicionais, eles tinham dificuldade de assimilar que startup não gera grana de forma imediata e que ela dependeria de captações para ir sobrevivendo.

Depois que finalizou o processo ela virou “money-driven” ou seja eles ignoraram todo aprendizado que tivemos nas acelerações e queriam fazer de tudo para a startup gerar grana, mas… não era a hora ainda não tínhamos encontrado o product-market-fit, o que transformou ela em uma empresa de serviços :(

Rompimento da sociedade

Depois de 2 anos resolvi me desligar da startup, pois encontrei uma oportunidade, uma startup buscava alguém com perfil de produteiro que tivesse tbm background de engenharia.

Trampei por 1 ano nessa startup, eu fazia o papel de tech lead + product manager.

No final eu tbm estava fazendo tudo, fazendo discovery, planejando, programando, etc… eu gostava pq eu entendia o pq das coisas e aprendi muito pelo caminho.

💡 Então em 2021 enfim acendeu mais 1 luz na minha carreira…

A Luz

No ano de 2021 eu queria fazer um movimento na carreira, por mais que eu gostava de fazer várias coisas ao mesmo tempo, isso não era saudável mentalmente, queria escolher uma área pra seguir e fazer uma única coisa.

Eu estava entre focar em ser “tech lead” ou ir para a área de produto. Então voltei a uns anos atrás pra fazer a seguinte reflexão:

“O que me motiva mais, o processo de engenharia ou resultados gerados por produtos?”

Inconsciente eu já tinha a resposta, curtia todo aquele trampo de produto, curtia acompanhar as métricas.

Então tomei a decisão de parar de consumir qualquer conteúdo relacionado a engenharia e passar a consumir diariamente conteúdo relacionado a produto, então passei a ouvir podcasts, ler livros relacionados, acompanhar lives.

Quanto mais eu consumia conteúdo mais me apaixonava pela área, então em outubro de 2021 decidi fazer a migração.

A migração

Uma startup foda de delivery bebidas 💛 estava procurando um Technical Product Manager, li o job description da vaga e pqp… Eu tinha total fit com o que eles procuravam, então apliquei a vaga, troquei algumas idéias pelo linkedin com pessoas de produto que trabalhavam por lá e enfim fui convidado para o processo seletivo.

Processo foi composto por 4 fases e a cada fase era uma chuva de nervosismo, medo, ansiedade:

1º por conta da importância e tamanho da startup

2º por conta de eu de fato assumir que teria que matar o “deyvin dev” para nascer o “deyvin produteiro”.

Depois de longos dias (que pareceu anos) fui aprovado em todas as fases e recebi a proposta de assumir como Associate Product Manager da squad de Catalog, uma squad totalmente técnica 💛, eu fiquei pálido quando recebi a notícia, deu um mix de sentimentos de alegria e medo e eu aceitei.

Desafios do novo desafio

🏁 What, Why, How

Eu vivi muito o papel duplo (engenharia e produto), então eu sempre encontrava o problema e já pensava a solução, meu gestor (Salve mano adib) antes de eu entrar me deu o seguinte conselho:

“Você precisa focar no “Oq” e no “Pq”, o “Como” é com otime de engenharia”

hoje, toda vez que eu já me pego querendo sugerir soluções lembro dele falando isso.

🏁 Desviar das propostas indecentes

Eu não entrei em detalhes, mas minha decisão de mudar de carreira é pensando a longo prazo, ou seja, eu deyvin não me via mais nos próximos 10 anos como dev.

Estamos vivendo um apagão tecnológico e desenvolvedor tá virando uma “espécie rara" e como estou “remando contra a maré”, ou seja recebo propostas de 2x e até 4x do meu salário, preciso manter meu foco e dizer não.

Acho que é isso, hoje escrevendo esse post estou completando 4 meses, mas para não prolongar vou escrever outro post contando sobre a experiência.

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Dev aposentado, Product Manager, do interior RJ com leve sotaque de mineiro.

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Deyvid Nascimento

Deyvid Nascimento

Dev aposentado, Product Manager, do interior RJ com leve sotaque de mineiro.

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